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Vinho e Mesa :: O frango e sua melhor harmonização (pelo menos aqui em casa)

frango
Nascemos em Goiás e moramos em Minas desde 1999. Portanto, não mudamos muito os hábitos alimentares, porque a culinária goiana e a mineira são irmãs. O mesmo feijão tropeiro com couve, os ovos caipiras, o torresmo, a pamonha, o quiabo e os doces são figurinhas carimbadas tanto aqui quanto “do lado de lá do Paranaíba”.
Sendo assim, adoramos frango aqui em casa. Frango caipira não é muito meu forte, porque acho a carne um pouco dura, mas quando vamos a Goiás não tem jeito, lá vem minha sogra com um franguinho caipira que ela mesmo viu nascer, deu milho e agora está na panela. Uma crueldade da qual eu preferia ficar longe, mas ela gosta de me torturar.
Seja caipira, seja de granja, o frango ao molho de açafrão é feito aqui em casa com certa frequência. Como prefiro os frangos urbanos, a Érika faz muito a “coxinha da asinha”… e descobrimos há muito tempo que a melhor harmonização com esse frango de molho é um vinho branco, especialmente um Chardonnay.

É provável que a maioria das pessoas imagine que a melhor harmonização seja com um tinto, até porque o brasileiro adora um vinho tinto mesmo no calor do cerrado. Mas já fizemos tantas experiências com o frango e nenhuma se deu tão bem quanto esse branco feito com a “rainha das uvas brancas”.

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Particularmente preferimos um Chardonnay com passagem por madeira, porque embora o frango seja uma carne leve, quando temperado com açafrão acaba ganhando força, então um vinho que amadureceu no carvalho consegue segurar melhor os aromas e sabores mais intensos.
Também é comum fazermos o frango inteiro ou partes dele assado. E na foto acima foi uma receita que ficou muito, mas muito boa. Até já foi publicada lá no meu blog de vinhos (veja aqui) e saiu no jornal Correio de Uberlândia, porque a Érika além de colunista aos domingos também colabora com a coluna de gastronomia vez ou outra.
E nesse dia o frango recheado com cottage foi acompanhado por um risoto de abobrinha (zucchini). Fico fantástico. Mas quando servimos o vinho e veio a harmonização, o prato deu um salto, ficou ainda melhor, ganhando novos aromas e sabores. O vinho conseguiu “limpar a boca” por sua acidez e ainda deixou lembranças do carvalho e dos temperos do frango.
É um vinho argentino de produção orgânica e apenas 30% do líquido passou por madeira. Isso fez dele um vinho com boa complexidade de aromas e sabores, mas não o deixou “chato”, como alguns vinhos excessivamente amadeirados. Veja lá no VPT o que achei do vinho.
Se você gosta de frango (urbano ou caipira), assado ou de molho, e assim como eu acredita que o vinho deve harmonizar com a comida de sua casa – e não com a comida que se vê apenas nos livros de gastronomia – experimente harmonizá-lo com um Chardonnay. Não vai se arrepender.
Saúde a todos!
Gil Mesquita
Professor universitário em cursos jurídicos, enófilo apaixonado, mantém desde 2006 o blog Vinho para Todos.
www.saborsonoro.com.br