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Vinho e Mesa :: Espumante para as comidinhas e aperitivos improvisados

Uma entradinha elaborada com alguns ingredientes que estavam “sobrando” na geladeira.
Entre amigos eu sempre digo que espumante vai bem até com arame farpado! Um exagero só pra realçar o que penso sobre as harmonizações possíveis com essas delícias borbulhantes, que vão bem com quase tudo, de comidas gordurosas a sushi, de saladas de folhas até sobremesas.
Claro que as harmonizações ficarão melhores se você seguir algumas regrinhas. Mas o intuito dessa coluna é simplificar, é realçar que aqueles petiscos de boteco ou aqueles que você faz em casa com alguns ingredientes que estão sobrando na geladeira se dão muito bem com os espumantes, principalmente os secos (brut) que não competirão com a maioria dos ingredientes.
Quando pensava sobre o tema de hoje falei com a Érika, minha esposa, que disse: “tem aspargos na geladeira, precisamos usar”. Aspargo está na lista dos ingredientes de difícil harmonização, principalmente se o vinho for tinto, porque costuma deixar na boca uma sensação metálica. Então, um espumante seria uma saída segura para essa combinação. Ela completou: “vou fazer uma entrada com aspargos, tomate e gorgonzola”. Ótimo, pensei. Um ingrediente difícil, um ácido e um salgado. Ótima chance de mostrar o potencial de harmonização para os espumantes.
E por que isso acontece? Porque os vinhos espumantes têm aquelas bolhinhas que na verdade são fruto de uma segunda fermentação realizada (na própria garrafa ou em tanques de inox), formadas por gás carbônico que se desprende do líquido. Essas bolhinhas são responsáveis por “limpar a boca” quando bebemos com comida. Além disso, os espumantes têm normalmente uma boa acidez, especialmente os secos ou extra-secos, que combate bem a gordura e dá sensação de frescor.
Para acompanhar a entrada que a Érika fez escolhi um espumante brut de um dos ótimos produtores brasileiros, a Cave Geisse, fundada em 1978 pelo enólogo chileno Mario Geisse, responsável pelos vinhos da conhecida vinícola Casa Silva. Nas terras de Pinto Bandeira, distrito de Bento Gonçalves, Geisse encontrou o terroir ideal para elaborar seus espumantes premiados e de bom preço.
Espumante brut branco, elaborado com uva tinta. É o que chamamos Blanc de Noir.
Esse espumante é um Blanc de Noir, uma expressão francesa que significa que foi elaborado com 100% Pinot Noir. Ela é uma uva tinta, mas a fermentação é iniciada sem contato com a casca. Então, o vinho fica branco. É brut, que no caso da lei brasileira é seco, com até 15 g de açúcar por litro, elaborado pelo método tradicional (champenoise, para os franceses) com a segunda fermentação realizada na própria garrafa.
Quando servido o espumante apresentou ótimos aromas. Em boca é cremoso, repete os aromas, tem bolhinhas finas e persistentes e boa acidez. Na companhia da comida fez o que eu esperava: limpou a boca, acrescentou sabores aos da comida e tornou o final de boca muito prazeroso. Sabe quando você termina de beber o vinho com a comida e a sensação que fica é muito mais interessante do que a comida ou o vinho sozinhos? Pois é! Essa é a harmonização ideal.
Fica a sugestão pra você experimentar os espumantes com maior frequência, não só como aperitivos bebidos sozinhos, mas como ótimas companhias para as mais diversas comidas e ocasiões.

Saúde a todos!

Gil Mesquita

Professor universitário em cursos jurídicos, enófilo apaixonado, mantém desde 2006 o blog Vinho para Todos.
www.saborsonoro.com.br